Ela só quer, só pensa em namorar

07 Sep, 2020

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“Olha pro céu, meu amor Vê como ele está lindo Olha praquele balão multicor Como no céu vai sumindo”

A simplicidade dos versos acima é um soco na pretensa intelectualidade dos que buscam algo além de beleza, de ternura e de vida nas músicas de Luiz Gonzaga. A obra de Luiz Gonzaga e seus parceiros musicais é mais uma das imensas riquezas brasileiras que podemos admirar, conhecendo melhor nossa história e cultura.

Às vezes, a vida é difícil demais e, por isso, ela precisa dessa beleza simples das músicas do “Rei do Baião”, que transforma a dura vida em poesia desconcertante.

Quando se ouve Asa Branca narrando as agruras da vida no agreste nordestino são poucos os que não se entregam à melancolia provocada por um ritmo aparentemente alegre, mas com uma poesia triste, imensamente triste. Sair de sua terra, deixar família e amores para trás em busca de um sonho – e realizá-lo – é para fortes, para quem tem talento.

Essa sua obra foi cantada por artistas tão díspares como Marisa Monte e Demis Roussos. Já, Elis Regina e Hermeto Paschoal improvisaram essa mesma música de forma singular no Montreux Jazz Festival e Baden Powell, o grande violonista brasileiro, dá uma aula de violão ao interpretar esse clássico da Música Popular Brasileira.

Luiz Gonzaga transformou a sanfona, o zabumba e o triângulo em seus companheiros inseparáveis e com eles irrigou o Brasil com o baião, o xote, o xaxado, tornando o país mais rico, mais diverso, mais belo.

Sempre a beleza e a simplicidade. Elas também estão presentes na admirável descrição da entrada da adolescência da menina que deixa a boneca de lado, não dorme, não estuda, pois “ela só quer, só pensa em namorar”. Pobre pai, preocupado com a saúde da menina!

“Minha vida é andar por este país Pra ver se um dia descanso feliz”

Querendo conhecer um pouco melhor Luiz Gonzaga, fiz uma viagem inesquecível em homenagem a ele. Saí de São Paulo e fui a Exu, no sertão de Pernambuco, para conhecer o chão no qual ele viveu, a casa que foi seu abrigo, ouvir de um e de outro o orgulho de ser conterrâneo desse artista sensacional. Muito poderia ser dito do homem Luiz Gonzaga, mas isso é coisa para um biógrafo, não para um admirador. Talvez eu possa dizer uma coisa sobre ele. Luiz Gonzaga é pai de Gonzaguinha. Bom, mas, aí

“Explode coração”.

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