Vamos destruir nossos monumentos?

30 Jul, 2020

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George Orwell disse que a história é escrita pelos vencedores. É mesmo? Napoleão disse que a história é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo. É mesmo?

Vivemos dias em que o que é considerado correto, certo ou verdadeiro está sendo colocado em xeque. Está mesmo?

As manifestações contra o racismo ocorridas no mundo todo após o assassinato de George Floyd em maio deste ano mostraram, uma vez mais, uma verdade que não pode ser questionada: o racismo existe.

Ele pode se manifestar de forma clara, contundente, como víamos até poucas décadas atrás, com segregação racial legalmente presente não só nos Estados Unidos, mas, inclusive, em terras africanas. No Brasil, o racismo está tão impregnado nas engrenagens sociais que só os que o sofrem e alguns outros mais atentos o percebem. E aqui ele vem acompanhado da pobreza da qual muitos outros brasileiros são vitimas.

Nos Estados Unidos e em países tão diferentes quanto Bélgica, Austrália e Etiópia, alguns grupos encontraram na destruição de estátuas ou monumentos, lembrando figuras que defenderam ou usaram o racismo, sua forma para dizer “basta” com relação a ele.

Vale a pergunta: o que garante um futuro melhor? Destruir símbolos do passado ou ressignificá-los a partir do presente? A Psicologia propõe que o indivíduo transforme suas experiências negativas em aprendizado, os obstáculos em impulsores para a mudança. É preciso acreditar nessa possibilidade também para acontecimentos maiores na história da humanidade.

Não podemos nos esquecer que, provavelmente, uma das lembranças mais amargas da história da humanidade está de pé – e assim deve permanecer – como um alerta que mostra os horrores sem limites dos quais somos capazes. Auschwitz é esse alerta. Quem visita Auschwitz pode sair de lá destroçado, mas crente de que não podemos deixar de lutar contra pequenas desgraças que podem nos levar a acontecimentos desastrosos que mostram o quão destruidores podemos ser. A História não pode admitir retrocessos. É para um futuro melhor que devemos caminhar.

No Brasil, o abandono, o descaso e a má sorte têm destruído muitas lembranças caras a nós brasileiros. Vejamos o caso do famoso Museu do Ipiranga, fechado há anos, ou o fantástico Museu da Língua Portuguesa, vítima de incêndio em 2015, ou o Museu Nacional no Rio de Janeiro com o maior acervo da História Natural e Antropologia das Américas, ou as Igrejas históricas de Minas e Bahia ou as queimadas na Amazônia, ou, ou....

Em todas essas situações, reconhecer omissões, erros e abusos, tentar compensar danos causados e buscar uma nova forma de viver é o que cada um de nós e nossos governantes devemos fazer. Para resgatar a verdade e a dignidade de todos.

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